quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O Psicólogo



Existem filmes que vão direto para DVD não tendo forças suficientes para embarcar em uma temporada nas salas de cinema. Isso acontece porque a distribuidora acha que o filme em questão não vai atrair o grande público. Esse fato define o filme como uma obra ruim? Não. É o caso do filme O Psicólogo (2009), apesar de concordar que o longa-metragem não faria uma boa bilheteria ele é um bom filme para se assistir em casa com a família oferecendo-nos Kevin Spacey como protagonista.

O filme mostra a vida de Henry Carter (Kevin Spacey) psicólogo de estrelas de Hollywood que precisa enfrentar a perda da esposa. Como um tipo de terapia, o pai de Henry (Robert Loggia) resolve passar uma paciente “normal” para o psicólogo. Com esse novo tipo de paciente Carter vai perceber se ainda pode curar pessoas ou não.

Seguindo a mesma estrutura narrativa de filmes como Crash (2004), Simplesmente Amor (2003) e Banquete do Amor (2008), o longa-metragem do diretor Jonas Pate nos fornece uma quantidade considerável de personagens que estão ligados de uma maneira ou de outra ao psicólogo do título. O fato de ter vários personagens propõe uma dinâmica na narrativa, mas sofre na superficialidade com que é tratada cada história individual.

Graças a atuação de Kevin Spacey seu personagem não sofre com a superficialidade narrativa, o ator de Beleza Americana consegue transmitir o vazio que o psicólogo sente com a perda da mulher, mesmo que talvez seja considerado fácil interpretar um “chapado”. Robin Williams faz uma participação na filme e continua na sua tentativa de interpretar personagens adultos e verossímeis.


O tom do filme é melancólico e letárgico, entrando em sintonia com a tristeza e torpor ao qual Henry Carter está, podemos perceber isso com os ângulos de câmera quase nunca fixos. O que surpreende no filme é seu otimismo no desfecho da trama, talvez para paralelizar com as histórias tristes que descambam para a tragédia, mas acreditar na bondade geral de astros de Hollywood problemáticos, só em um filme sobre um psicólogo.

O longa mostra que psicólogos são tão problemáticos quanto seus pacientes, afinal, são humanos como nós. O que difere um bom psicólogo de um ruim é que ele tenta enfrentar seus problemas ao invés de construir a ilusão de que nada pode atingi-lo.


Nota: 8,5


Rafael Sanzio

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O Casamento de Rachel

O Casamento de Rachel (2008) foi uma inspiração do diretor Jonathan Demme (Silêncio dos Inocentes) em fazer um filme independente, longe dos grandes orçamentos de Hollywood. O produto final envolve o público na trama dos personagens e na participação de um casamento.

Kym (Anne Hathaway) é uma alcoólatra que nos últimos meses ficou em uma clínica mediante uma imposição do juiz como cumprimento de pena por dirigir bêbada e bater com o carro. Com o casamento de sua irmã Rachel (Rosemarie DeWitt), Kym é liberada para participar da comemoração. O que se segue é uma demonstração de uma série de traumas que envolvem a família e demonstra o quão prejudicial pode ser uma família que não saiba lidar com tragédias pessoais.


Anne Hathaway está bastante confortável no papel, Kym tem defeitos, mas o importante é percebemos que nenhum personagem ali merece a santificação por estar ao lado dela. A protagonista não é a vilã, demonstra tendências parasitárias, mas não é fria, demonstra ainda expressões diante de cenas emocionantes. Bill Irwin concede ao personagem Paul uma ternura de um pai preocupado em manter unida a família e o equilíbrio de atenção entre as duas filhas.


O diretor acertou ao escolher o uso da câmera subjetiva para dar um ar de filmagem caseira. Esse elemento fílmico do cotidiano oferece uma liberdade ao diretor, as câmeras, com exceção da cena inicial, podem ser julgadas como câmeras de pessoas que estão filmando o casamento. Em algumas seqüências vemos outras câmeras filmando por outros ângulos, mas isso não é considerado um erro pois os câmeras viraram personagens. Outro ponto que pode chamar a atenção são pessoas carregando vários microfones, como na seqüência do ensaio do jantar, ali percebe-se que os microfones estão sendo utilizados para captar as vozes dos outros atores enquanto o principal está com um microfone próprio.



Outra solução do diretor foi o uso da música direta, como Hitchcock, toda a trilha do filme participa da ação da trama, essa idéia tem ajuda do fato que o personagem do pai foi um músico conhecido e cheio de amigos. Portanto, a casa da família está cheia de músicos ensaiando, tocando e se divertindo. Jonathan Demme colocou uma banda para tocar em partes da casa enquanto havia cenas sendo rodadas em outros cômodos. A trilha sonora foi uma criação simultânea aos acontecimentos da história.


O grande problema do filme combina com o problema da trama, a disputa de atenção entre Rachel e Kym. O diretor não sabe se dá atenção ao casamento ou a todo desenrolar da história de Kym e seus problemas familiares, um acontecimento quebra o ritmo do outro. Quando o problema da protagonista chega ao clímax, é colocado takes longos dos preparativos do casamento, isso acontece muito perto do final. O diretor se excede ao querer mostrar todo o casamento, então ficamos lá, não suportando ver a festa e dança pois queremos saber o que acontece no final do processo de redenção familiar.


O Casamento de Rachel possui uma ótima atuação de Anne Hathaway, dá uma perspectiva cotidiana dos bastidores de um casamento integrando o público dentro dessa comemoração, além de ter um bom roteiro com interpretações realistas. Mas se você for daqueles que acham a festa de casamento um tédio é possível que você não agüente o filme até o final.


Nota: 8,5


Rafael Sanzio

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Especial Fúria de Titãs: Crítica de Fúria de Titãs (2010)


Fúria de Titãs (2010) só toma emprestado do original apenas a trajetória de Perseu e algumas referencias de nomes, de resto é uma verdadeira deturpação da mitologia grega. Louis Leterrier e os roteiristas Travis Beacham, Phil Hay e Matt Manfredi apropriaram-se dos mitos e monstros das lendas gregas e criaram um mundo que se encaixa perfeitamente nos planos de construção de uma seqüência.


Na trama Perseu (Sam Worthington) é um jovem que foi abandonado e encontrado por um pescador. Enquanto crescia, os humanos cada vez mais se revoltam com os Deuses que devem adorar. Até chegar ao ponto de declarar-se guerra contra as divindades do Olimpo. Contudo, para punir os humanos, Zeus (Liam Neeson) decretou a destruição de Argos pelo poderoso monstro Kraken, filho de Hades (Ralph Fiennes). O destino faz com que Perseu comande um grupo de soldados para encontrar uma arma poderosa o bastante para destruir o Titã.


O ponto principal nesse Fúria de Titãs é a visão antropocêntrica da história. Aqui o contexto histórico é o fim da adoração aos Deuses, com humanos deixando de orar e fazer sacrifícios. O fato dos Deuses dependerem das orações para aumentar ou diminuir seus poderes é coerente para a explicação do desaparecimento dos Deuses gregos na atualidade. Porém, essa mania de Hollywood em transformar Hades em um tipo de diabo irrita por jogar a relação dos Deuses para a banalização maniqueísta tão presente em filmes de aventura básicos. Outra modificação imprudente foi o exagero de poder concedido ao Kraken, dizer que foi ele que derrotou os titãs é no mínimo dar uma expectativa grande ao público para uma batalha épica.


Os roteiristas também fazem uma mistura de culturas nesse novo mundo grego. Colocando assim soldados gregos juntos de Djins (gênios árabes). Tudo parte de um plano de Leterrier para constituir uma franquia.


O que foi deixado claro pela equipe é que Fúria de Titãs é um filme pipoca, um filme com muita ação e efeitos especiais. Mas mesmo afirmando isso o filme não está livre de críticas ao roteiro. O roteiro é raso, com diálogos clichês e desenvolvimento da aventura básica, com personagens também típicos de um filme de ação mediano.Ao menos os soldados possuem personalidade suficiente para serem lembrados durante o desenrolar da trama.


Com a visão antropocêntrica Perseu age de forma rebelde, sempre deixando claro que recusa seu lado divino. Essa concepção foi defendida por Sam e o diretor por passar, segundo eles, uma boa mensagem para as crianças de hoje: “se existir obstáculos na sua vida vença-os acreditando em si mesmo, não espere milagres”.


As atuações estão mecânicas e normais para um filme pipoca. Soldados estereotipados e Sam Worthington interpretando um herói revoltado sem mais nada para passar. A personagem de Gemma Arterton (Io) exagera no ar etéreo de sua história, fazendo com que sempre em suas cenas pareça distante de uma interpretação convincente. Liam Neeson não traz nada de novo a não ser um Zeus raivoso e Ralph apesar de fazer um Hades contrário da crença grega, esforça-se para deixar marcada a sua passagem no filme.



Como era de se esperar desse remake sua maior contribuição foi os efeitos especiais e criação estética visual mais caprichada do mundo grego. Ele ganha pontos com os monstros mitológicos, como a medusa, kraken e escorpiões. Mas ao criar os djins destoa do conceito mitológico grego. Ao vermos os Deuses do Olimpo, não encarem como ofensa, podemos sonhar que realmente cavaleiros do zodíaco pode ser adaptado de forma correta. Quanto ao figurino cai-se na falta de uso dos elmos dos soldados, tudo para mostrar os rostos dos atores. Além disso, pode ser interpretado como preconceito os fanáticos religiosos da história sejam aqueles com figurinos parecidos com indianos.


Fúria de Titãs consegue ser um filme de ação mediano com boas seqüências de luta com destaque para a luta contra medusa. Sua duração de 118 minutos é suficiente para o passeio no novo mundo grego “Leterriano”, o público de épicos ficou mal acostumado com filmes com mais de duas horas de duração.


Ao final do filme aqueles que conhecem o mito vão perceber a nítida mudança do fim de Perseu, mas é evidente, porque descansar se estamos na era das franquias?


Nota: 6


Rafael Sanzio

Especial Fúria de Titãs: Crítica de Fúria de Titãs (1981)


Com algumas licenças de adaptação da lenda grega de Perseu, foi criado um clássico da aventura com os efeitos especiais de Ray Harryhausen. Com uma trama simples, Fúria de Titãs dá vida a lenda de Perseu e ficou impregnada na mente de muitos fãs até hoje.


A história segue a vida de Perseu (Harry Hamlin), filho de Zeus (Laurence Olivier) com uma humana, que fica sob a proteção do pai até a maior idade. Contudo, quando o filho da Deusa Tétis (Maggie Smith) é punido por Zeus, a Deusa começa a vingança aos orgulhos humanos e ao protegido Perseu, colocando o herói no caminho de uma grande aventura para salvar a princesa Andrômeda (Ursala Andress) do sacrifício para acalmar o Titã Kraken.


O que se pode perceber pela história é que os Deuses são mais humanizados nesta versão, colocando diante de nós seres tão invejosos, vingativos e impulsivos quanto os humanos que controlam. Isso é nítido na seqüência inicial onde Zeus decide destruir uma cidade inteira pelos atos de um rei. Com a liberdade criada para estruturar a narrativa da lenda fragmentada de Perseu, o roteiro criou um elo maior entre Andrômeda e Perseu, além de apresentar o personagem Calibos (Neil McCarthy) para mostrar os destinos contrários de dois filhos dos Deuses. Um dos pontos fracos do filme é a coruja robótica Bubo, uma clara influencia de se criar um coadjuvante tão cativante quanto foi R2D2 em Star Wars (1977), a coruja é uma criação mecânica de Hefesto e fala por bipes!


Ainda referente a história, Perseu segue a linha do filho independente e corajoso. A época grega retratada aqui é o começo da era dos heróis mitológicos, os Deuses são temidos e adorados, não a revolta contra o divino e sim aceitação dos comandos e desmandos do Olimpo. Esse contexto transforma o Perseu mais apto a aceitar os presentes advindos dos Deuses e sua motivação é o amor que sente por Andrômeda.


A interpretação de Harry Hamlin é precária, reservando-se apenas a expressões vazias e exigências físicas. Muitas atuações são teatrais, principalmente do rei Acrísio. Destaque apenas para Burgess Meredith (Ammon) que serve de suporte para Perseu em sua jornada e ainda a performance de Flora Robson, Anna Manahan e Freda Jackson que interpretam as três bruxas.



O nome de Ray Harryhausen é a referência para efeitos especiais da época, ele que influenciou muitos cineastas famosos hoje como Steven Spielberg, James Cameron e George Lucas. Por mais que estejamos acostumados aos CGs atuais, para quem tem respeito pelo trabalho e um pouco de nostalgia o spot-motion de Ray confere uma simpatia mesmo hoje. Uma curiosidade é que o Kraken era originalmente um dragão de nome Leviatã, mas Ray optou por criar um ser de quatro braços e com um nome, ao seu ver, mais ameaçador.


Fúria de Titãs (1981) é um clássico da aventura, juntando-se as obras de Ray como Jasão e Sinbad, com um pouco mais de respeito a mitologia no qual se apropria.


Nota: 8


Rafael Sanzio

Especial Fúria de Titãs: Por que não comparar?

A ideia de não fazer comparações entre os dois filmes vêm do simples fato de ao escrever o texto não precisar ficar indo e voltando entre um filme e o outro. É evidente que os dois longas metragens criaram suas licenças referentes a lenda de Perseu, um mais que o outro. Mas o que faço aqui é apresentar a história de Perseu e críticas separadas de cada um dos filmes.

Não é uma briga entre os dois, precisamos ver o contexto e se realmente cada um fez o certo em seu próprio tempo. Como sempre, apresento minha opinião e vocês que decidem.

Especial Fúria de Titãs: A História de Perseu


Com a chegada do remake do filme de 81, Fúria de Titãs, houve muitas discussões acerca da qualidade do roteiro e quãoo fiel os produtores do filme foram a mitologia grega. Com essa mesma discussão não podemos esquecer que o filme de 81 também tomou suas liberdades na história, Ray Harryhausen falou em entrevista que a história de Perseu na mitologia grega é bastante fragmentada e com várias versões, foi preciso criar essas liberdades poéticas no roteiro para criar uma história crível e de interesse para o público.


Para aqueles que gostam da obra original é evidente que prezam pela fidelidade, mas a qualidade de um filme não está no quão bom sua adaptação foi, mas na criação de uma história que flui com naturalidade e tem coesão em sua estrutura. Apesar de não achar que o filme Fúria de Titãs precisasse ser fiel ao mito grego, vou colocar aqui a história de Perseu graças a uma coleta de informações de internet, contudo há sempre outras versões da mesma história. Conhecer o mito será importante para aqueles que já se cansaram de ouvir colegas dizerem que o mito é melhor que os filmes, que não havia necessidade de criar nada, que deveriam usar apenas a história original. Tendo essa informação em mãos vocês poderão argumentar melhor.


A História de Perseu/Fonte: http://mitos.cultodavida.com/view/a-historia-de-perseu.html


Perseu era filho de uma mortal, Danae, e do grande deus Zeus, rei do Olimpo. O pai de Danae, o rei Acrísio, havia sido informado por um oráculo de que um dia seria morto por seu neto, aterrorizado aprisionou a filha e afastou todos os seus pretendentes. Mas Zeus desejava Danae: entrou na prisão disfarçado em chuva de ouro e o resultado dessa união foi Perseu. Ao descobrir que apesar de suas precauções tinha um neto, Acrísio fechou Danae e o bebê numa arca de madeira e os lançou ao mar, na esperança de que se afogassem.

Mas Zeus enviou ventos favoráveis, que sopraram mãe e filho pelo mar e os levaram suavemente à costa. A arca parou numa ilha onde foi encontrada por um pescador. Perseu cresceu forte e corajoso e, quando sua mãe se afligiu com as indesejadas investidas amorosas do rei da ilha, o jovem aceitou o desafio que este lhe fez: o de lhe levar a cabeça da Medusa, uma das Górgonas. Perseu aceitou essa missão perigosa não porque ambicionasse alguma glória pessoal, mas porque amava a mãe e estava disposto a arriscar a vida para protegê-la.

A Górgona Medusa era tão hedionda que quem olhasse seu rosto transformava-se em pedra. Perseu precisaria da ajuda dos deuses para vencê-la, e Zeus, seu pai, certificou-se de que essa assistência lhe fosse oferecida: Hades, o rei do mundo subterrâneo, emprestou-lhe um capacete que tornava invisível quem o usasse; Hermes, o Mensageiro Divino, deu-lhe sandálias aladas; e Atena lhe deu uma espada e um escudo. Perseu pôde fitar o reflexo da Medusa e, assim, decepou-lhe a cabeça, sem olhar diretamente para seu rosto medonho.

Com a cabeça monstruosa seguramente escondida num saco, o herói voltou para casa. Na viagem, avistou uma bela donzela acorrentada a um rochedo à beira-mar, à espera da morte pelas mãos de um assustador monstro marinho. Perseu soube que ela se chamava Andrômeda e estava sendo sacrificada ao monstro porque sua mãe havia ofendido os deuses. Comovido por sua aflição e sua beleza, o herói apaixonou-se por ela e a libertou, transformando o monstro marinho em pedra com a cabeça da Medusa. Em seguida, levou Andrômeda para conhecer sua mãe, que, na ausência dele, tinha sido tão atormentada pelas investidas do rei depravado que, desesperada, tinha ido se refugiar no templo de Atena.

Mais uma vez, Perseu ergueu bem alto a cabeça da Medusa e transformou em pedra os inimigos da mãe. Depois, entregou a cabeça a Atena, que a incrustou em seu escudo, onde ela se tornou o emblema da deusa para sempre. Perseu também devolveu os outros presentes aos deuses que os haviam oferecido. Daí em diante, ele e Andrômeda viveram em paz e harmonia e tiveram muitos filhos. Sua única tristeza foi que, um dia, ao participar dos jogos atléticos, ele arremessou um disco que foi levado a uma distância excepcional por uma rajada de vento. O disco atingiu e matou acidentalmente um velho. Tratava-se de Acrísio, o avô de Perseu, e com isso, finalmente, cumpriu-se oráculo do qual um dia o velho tentara se livrar.


Detalhes do mito


Finalizando a história de Perseu, apesar de matar o avô e ser o herdeiro por direito, Perseu se recusou a governar Argos (trocando de reinos com Megapente filho de Preto) e governou Tirinto e Micenas (cidade que fundou).


Um exemplo de uma parte do mito que não poderia ser repassado para as telas sem a aprovação do público é a existência e nascimento do cavalo Pégaso. Diz a lenda que, quando Medusa foi morta, o cavalo alado Pégaso e o gigante Crisaor surgiram de seu ventre, fruto da paixão entre a Medusa e Poseidon. Os produtores de ambos os filmes acreditaram que Perseu cavalgando o corsel alado seria bem mais intimidador do que ele usando sandálias aladas.


Outros mitos que possuem versões diferentes é a medusa. Uns dizem que ela é da raça das Górganas, criaturas horrendas com corpo de serpente que transformam os seres em pedra, com o passar do tempo poetas gregos começaram a retratá-las como mulheres belas com cabelos de serpente. O que deve ser deixado bem claro aqui que não existe o Kraken na mitologia grega, Ray Harryhausen achou que o nome Kraken era bem mais intimidador do que o original, Leviatã. Além disso, a forma do monstro era de um dragão, mas Ray optou por outra abordagem. Na lenda de Andrômeda a criatura que assola a cidade se chama Cetus, monstro marinho sob o comando de Poseidon.


Pelo que podemos ver houve muitas licenças utilizadas pelos roteiristas para criar Fúria de Titãs, um dos pontos importantes nessa questão de uso de mitologias é se a essência da época foi mantida. Há mudanças radicais que causam choque para quem assiste, mas outras podem ser relevadas para o bem de um bom ritmo para trama e criação de uma personalidade forte para os personagens.

domingo, 16 de maio de 2010

Alice no País das Maravilhas


Por que criticar Tim Burton por ser Tim Burton? Alguns críticos dão pontos negativos para o filme Alice no País das Maravilhas (2010) por ter a marca de Tim Burton. Não porque o diretor errou feio, mas na visão deles Burton apresenta mais do mesmo. Mas isso deve ser considerado para tornar um filme ruim?


A história do filme nos leva 10 anos depois dos eventos do livro de Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas. Alice (Mia Wasikowska) vive sob pressão para seguir o que lhe é ordenado, tanto por sua família como pela sociedade. Pressionada a tomar uma decisão importante, Alice foge e acaba caindo novamente no País das Maravilhas, no qual acreditava ser apenas um sonho. De volta ao mundo subterrâneo Alice vai ter que tomar decisões importantes para decidir o destino dos habitantes do País das Maravilhas.

O roteiro flui com tranqüilidade se considerarmos com menos fanatismo o que foi mantido e o que foi mudado do mundo de Lewis Carroll. A história toma como base contos e poemas de Lewis Carrol sobre a continuação do livro. Existe a transformação do mundo em uma grande aventura, com a presença da corte da rainha, exércitos, rebeldes como um verdadeiro épico de fantasia medieval. Mas entre tudo isso há a evolução da própria Alice de criança para mulher, tudo de forma simbolista no texto e visual.

O problema de colocar nas mãos de um ator principiante toda a força de um filme é o fato de que ele pode não dar conta do recado. E apesar de dizer que não está usando espartilho a Alice está presa na atuação, desenvolvendo uma interpretação que simboliza a prisão de sua criatividade frente à sociedade a atriz Mia Wasikowska acaba por levar a atuação insossa por todo o filme. Helena Bonham Carter e Johnny Depp estão livres e espontâneos nos seus personagens, tomando liberdades artísticas e visuais. As mudanças de humor do chapeleiro deixam bem mais lunático e perigoso. Outras duas atuações que podem causar estranheza são as de Anne Hathaway e Crispin Glover, princesa e valete de copas respectivamente. O fato de serem personagens novos no mundo de Alice deu trabalho para que fosse criado um desempenho tão marcante quanto os outros personagens esquisitos da história.


A estética de Tim Burton casa bem com o mundo de Alice, os efeitos especiais estão bem feitos com exceção do corpo do valete. O rosto e corpo produzem uma ondulação que dificulta a atuação corpórea junto com a facial. As seqüências de ação são clichês, talvez a parte mais fraca do filme. A luta contra o Jabberwock (Christopher Lee) é previsível. Contudo, Tim Burton demonstra uma facilidade em criar um clima, tensão, momentos únicos para cada personagem e produz uma aventura de fantasia que dá de 10 à zero nessas pretensas franquias como Percy Jackson – E O Ladrão de Raios, Eragon e Crônicas de Narnia.

Alice no País das Maravilhas é um bom filme. Está cansado do estilo de Burton? Assista outras produções, ficou a fim de voltar a uma história com estética “esquisita” e personagens do mesmo estilo? Volte para Burton! Tim Burton não é mesmice é referência, não deve ser julgado por ter encontrado seu nicho de atuação.

Nota: 8,5

Rafael Sanzio