sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

A Pretensão da Pixar


 

A empresa de animação Pixar, subordinada à Disney, já começou sua campanha para eleger Toy Story 3 (2010) como melhor filme de 2010. Seu alvo é a estatueta do Oscar, que agora volta com 10 indicações para melhor filme. Em 2009 a animação UP – Altas Aventuras, concorreu ao título. Mas será que um filme de animação pode mesmo receber o prêmio de melhor filme, independente de ser um Oscar ou qualquer outro prêmio? Um filme de animação pode se igualar a um filme de atores reais?

Nenhum filme de animação conseguiu essa façanha no Oscar. Mas devemos sempre analisar com um olhar crítico, vejamos o roteiro e o desenvolvimento da história de um filme de animação. Possui romance, aventura, profundidade em seus personagens, quem pode dizer que WALL-E não têm personalidade só porque é uma animação? Ou que a sequencia da vida de Carl Fredricksen no começo de UP não foi emocionante?

Um filme não é bom só porque tem atores reais e parece com nosso mundo real. Um filme é bom quando nos emociona, quando nos identificamos com os problemas, sentimentos, situações que o personagem vive. A palavra é: identificação. Não importa se é animação, desenho ou atores reais, se nos identificamos e nos emocionamos com a história e personagens o filme é bom. Pode não ser o melhor, pode ser que só foi em uma cena, mas ele conseguiu nos emocionar e está de parabéns.

Eu chorei na morte iminente dos bonecos de Toy Story 3, mas era uma animação como eu poderia racionalmente chorar ali?! Sequer eram atores reais! Mas houve uma identificação com aquele momento, expressões faciais e sentimento transbordando naquela cena. O conformismo com a morte e que estavam todos juntos naquele momento triste. Emocionante. Toy Story 3 trabalha com amadurecimento, perdas e renovação. Bem melhor que muitos filmes de ação por aí.


 Toy Story 3 tem características para vencer? Sim. Temos que ver seus concorrentes, mas o importante é conscientizar-se que um filme de animação é um filme com qualidades e força para disputar com filmes de atores reais. E é a Pixar...

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A Modinha Crepúsculo


Recentemente aconteceu as filmagens no Brasil do quarto filme da cine-série Crepúsculo, Amanhecer, com isso a mídia brasileira tenta de todas as formas mostrar o set de filmagem e garantir entrevistas exclusivas dos astros Robert Pattinson e Kristen Stewart. Enquanto isso fãs histéricas gritam em direção de sacadas de hotéis de luxo para vislumbrar seus ídolos. Alguns cinéfilos se perguntam como um filme desses possui tanta fama, enquanto filmes de melhor qualidade não possuem fãs histéricas? Na verdade a resposta é óbvia, mas mesmo assim é de se admirar tanta fascínio por um ator ou por um filme. Mas a despeito de preconceitos, os críticos realmente estão analisando os filmes da saga Crepúsculo? Deixando o fanatismo de lado e o preconceito pelas “modinhas” vamos analisar os três filmes da saga Crepúsculo.

O primeiro filme apareceu timidamente, surgindo como uma adaptação de um livro de Stephenie Meyer, autora relativamente desconhecida que transformou os míticos vampiros em seres com hormônios sobrenaturais presos a paixões adolescentes. O filme Crepúsculo (2008) tinha sua qualidade técnica equiparável ao de um filme produzido para televisão, descompromissado com qualquer narrativa cinematográfica, Crepúsculo foi um passeio ameno pelo o universo da autora, com interpretações empenhadas em transmitir as mesmas expressões e sentimentos descritos no livro. Desde a falta de fôlego de Bella à prisão de ventre, digo, a necessidade de Edward em se controlar ao lado de Bella. Admiradores do mundo vampiresco clássico criticaram arduamente a versão de Meyer dos vampiros, relatando que ela deturpou a imagem do monstro da noite, mas o que a autora fez foi transferir um romance adolescente para um cenário sobrenatural e o sucesso de Crepúsculo está aí, em sua fidelidade em demonstrar o que uma garota adolescente sente ao estar perto do “cara” que pode ser o homem de sua vida.

Com o sucesso estrondoso, os produtores perceberam que deveriam investir mais no filme, transformando sua qualidade para atingir um público maior. E já demonstrando suas pretensões, acrescentou ao lado do título original o nome A Saga Crepúsculo: Lua Nova (2009) então estava aí a certeza que os filmes seriam rentáveis. Independente da qualidade do filme, foi a partir de Lua Nova que para um bom apreciador de cinema, era necessário escolher bem o dia para assistir o filme. Acreditem ou não, tive que assistir Lua Nova duas vezes no cinema e não foi porque eu amei a primeira vez, mas porque meu julgamento foi deturpado pelas condições externas durante a exibição. Não pude escutar a trilha sonora do filme, pois estava imerso a gritarias de fãs a cada 3 minutos de exibição, como em sã consciência alguém poderia julgar um filme dessa forma? Passada essa experiência terrível a segunda vez foi melhor. Aparece as constrangedoras cenas “para gritar”, cientes das fãs histéricas do filme, o diretor nitidamente cria momentos de câmera lenta com Edward caminhando e Jacob, o que isso tem a acrescentar a narrativa do filme? Nada, mas de certa forma é necessário ao apelo dos fãs e tentar conseguir acabar com a explosão de hormônios em cenas pré-determinadas e torcer para que não gritem em cenas mais dramáticas. O que podemos perceber dessa sequência foi a melhoria técnica, a direção de Chris Weitz conseguiu tirar a imagem de filme para TV do primeiro Crepúsculo, os efeitos especiais melhoraram bastante, tirando imediatamente o medo de imaginar que colocariam um lobo normal para representar os “lodisomens”. Um agrado para os não-fãs de Crepúsculo foi o surgimento de “vampiros de verdade”: os Volturi, tornando-se as interpretações que mais se destacaram no longa-mentragem. Porém, o roteiro criou uma mesmice, sai o vampiro entra o transfigurador, mesma premissa “não posso ficar perto de você”, além disso, da mesmo forma que o acréscimo da ação foi bom com os transfiguradores, perdeu em sentido com a luta entre Edward e Félix, além de não existir no livro, Edward lê pensamentos, ele não deveria perder. A Saga Crepúsculo: Lua Nova melhora em técnica, mas não cresce em roteiro, contudo, se firma como sucesso incontestável entre o seu público-alvo: adolescentes sonhadoras.

Então chegamos ao último filme da saga Crepúsculo em exibição, com direção de David Slade, todos já sabem do sucesso garantido do filme. Investe-se em ação O terceiro filme não tem nada de novo para apresentar, virou puro e simplesmente entretenimento, já estamos acostumados com o universo de Crepúsculo, já vimos os lobisomens e já entendemos os Volturi. O terceiro filme é uma passagem, sem momentos marcantes, para a finalização que é o quarto filme. A Saga Crepúsculo: Eclipse (2010) só possui pontos negativos que merecem ser destacados: a mudança da atriz Rachelle Lefevre (Victoria) pela atriz Bryce Dallas Howard, apesar da perceptível intenção de aumentar a carga de interpretação, a personagem perdeu em suas feições o espírito selvagem característico dos vampiros nômades tão bem expostos no primeiro e segundo filmes. Outra péssima adaptação foi a transformação dos vampiros em blocos de mármore, o fato de eles serem duros para os humanos não precisavam literalmente transformá-los em gárgulas ambulantes. De fato, o terceiro filme é esquecível, diferente dos outros dois com suas características próprias e momentos impactantes.

Com isso pessoal o que podemos determinar sobre a saga Crepúsculo? Um filme que não deve ser assistido, mas criticado assim que algum fã histérico mencionar seu nome? Ou ovacionado sem ao menos perceber seus detalhes e técnica? Pois, apesar do sucesso garantido acredito que os diretores querem que o público perceba suas marcas e melhorias que transferiram aos filmes da série. Vamos remover a cegueira de ambos os lados, se quer criticar assista, mas com olhos no filme e não em suas ideologias preconceituosas. Isso que falei vale para os dois lados. Para mim, Crepúsculo é entretenimento, sem mais a acrescentar ou diminuir.


Rafael Sanzio

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1 (Harry Potter and the Deathly Hollows - Part 1)



“A franquia que sobreviveu”. A série de livros de Harry Potter já chegou ao fim e a série de filmes trilha o mesmo caminho. Diferente de Eragon (2006) ou Percy Jackson e o Ladrão de Raios (2010), os filmes do bruxo de J.K. Rowling fizeram sucesso desde o começo, galgando mais e mais recordes a cada nova edição. E o interessante é a evolução que deu-se nos longas-metragens, tanto na idade dos seus protagonistas que cresceram junto ao seu público como nas próprias adaptações, com a fidelidade extremada de clima e roteiro dos primeiros filmes as licenças poéticas produzidas por cada diretor. Agora, Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 (2010) inicia o fim da franquia e prepara bem, sem pressa, o final de uma era.

Na trama, Dumbledore (Michael Gambon) está morto, Voldemort (Ralph Fiennes) é uma realidade e começa seu reinado das trevas. Harry (Daniel Radcliffe), Rony (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson) começam sua jornada para encontrar as Horcruxes, pedaços da alma de Voldemort, se eles conseguirem destruir todas há uma chance do Lorde das Trevas ser derrotado. Enquanto isso, Voldemort procura desesperadamente uma maneira de driblar a ligação entre ele e “o menino que sobreviveu”, para que finalmente ele possa destruir o escolhido.

O que percebe-se pelo filme é a tranqüilidade de David Yates em contar a história do sétimo livro, dividida em duas partes, é notável o cuidado do diretor em transmitir o que se passa na mente dos personagens, angústias, medos e desespero. Ele não tem a preocupação de colocar cada cena vista no livro, ou cada frase, ele teve a preocupação de amarrar cada cena e cada sequencia, tornando-se uma das melhores adaptações do filme do bruxo, não possuindo cortes abruptos ou qualquer sequencia que nos deixe uma lacuna no roteiro.

O sétimo filme não poderia ser diferente dos demais, há a evolução de maturidade da ambiência e estética do longa. A trilha sonora está mais sombria, as cores mais tensas e que causam desolação e desespero dos personagens. A sequencia inicial com Hermione é tocante e triste, conseguindo retirar uma carga emotiva de Emma Watson. Quanto as cenas de ação é interessante analisar a tentativa, em algumas, de torná-las mais reais. Sai os nomes dos feitiços, entra raios destruidores, o que poderia fazer com que imaginássemos pistolas nas mãos dos bruxos e achar que era um filme de policial.

Apesar da curta participação, Bill Nighy como o novo ministro da magia Rufus Scrimgeour marca sua passagem. A narrativa inicial, adicionado com sua interpretação e carisma fazem valer a contribuição do ator inglês no elenco. Outro que se destaca é Peter Mullan que interpreta o bruxo das trevas Yaxley, suas feições fortes e maldade exprimida nos olhos tornam a sequencia da invasão do Ministério da Magia ainda melhor e com o título de melhor sequencia de ação do filme. A atriz Imelda Staunton como Umbridge absorveu o papel de forma assustadora. É legal o que o roteiro proporciona, a poção polissuco que transforma o usuário em uma outra pessoa dá uma chance muito divertida a atores “figurantes” que em outros filmes não teriam a mesma chance. Como aconteceu em Harry Potter e a Câmara Secreta (2002) com o destaque para Crabbe e Goyle, aqui três personagens desconhecidos se destacam com suas expressões e trejeitos dos protagonistas. Isso poderia ter sido mudado caso o diretor escolhesse mostrar apenas os atores principais e num jogo de câmera descartar as atuações dos figurantes. Ainda bem que não fizeram isso e optaram por ensaiar bem as interpretações dos coadjuvantes.


Mas enquanto aos principais? Acredito que em relação a atuações destacam-se os papeis menores, mas é nítido a melhora dos nossos três protagonistas. Já Ralph Fiennes embarcou em uma interpretação teatral demais para Voldemort, tão teatral que fica difícil achar que seus seguidores realmente precisam ter medo dele. É mais fácil temer Yaxley ou Nagini, cobra de estimação do Lorde das Trevas.

Mas nem tudo são flores no sétimo filme. Apesar dos efeitos especiais estarem bons, o filme peca em exagerar nas cenas do acampamento. No livro, os personagens sofrem com a falta de ação que é esperar o momento para agir e David Yates conseguiu passar essa sensação para nós. As cenas emotivas ou solução de enigmas são artificiais demais ou não fortes o suficiente para que compensassem a falta de ação e extensão da sequencia do acampamento. Essa extensão poderia ser reduzida para mostrar cenas que não estão no livro, como mortes de personagens que foram apenas citadas na trama, perdeu-se a oportunidade de mostrar o que houve, sob o aval da autora e assim apresentar algo de novo ao público.

Contudo, poucos contras afetam o desempenho de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1. A primeira parte do desfecho da séria capta vários momentos interessantes do livro, possui uma direção envolvente e caprichada. Um ótimo preparador para o final da série, que aposto em uma coisa: o duelo de Voldemort e Harry Potter vai ser bem melhor do que o do livro.


Nota: 8


Rafael Sanzio  


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A Origem (Inception)


Antes de começar a crítica é preciso esclarecer um termo utilizado entre os cinéfilos e é muito importante que àqueles que desconhecem a palavra saibam seu significado para não serem pegos de surpresa. O termo ao qual me refiro é “SPOILER” esta palavra quando antecede algum texto sobre um filme alerta que as informações a seguir contem detalhes da trama do filme que talvez você não queira saber se ainda não o assistiu. Ou seja, caso veja esta palavra, pense duas vezes antes de continuar a ler, da mesma forma que é importante você colocar a palavra spoiler bem nítido no começo de qualquer texto que vá contar detalhes específicos dos filmes, os cinéfilos agradecem.

O filme A Origem (2010) parte da interessante ideia de um mundo onde as pessoas podem invadir os sonhos e roubarem segredos de suas vítimas. Temos a sensação de estarmos em um filme de Matrix, sem as excessivas pancadarias e de certa forma mais real. Christopher Nolan já se firmou como um diretor criativo, capaz de realizar filmes com roteiros bem amarrados e tramas envolventes.

A história acompanha Cobb (Leonardo DiCaprio), um ladrão de sonhos que tenta desesperadamente encontrar uma forma de voltar aos EUA sem ser preso devido a uma acusação por homicídio. A oportunidade aparece quando um empresário japonês Saito (Ken Watanabe) propõe uma troca, que Cobb consiga implantar uma ideia na mente Richard Fischer (Cillian Murphy) herdeiro das empresas Fischer, caso seja bem sucedido nessa tarefa impossível para os especialistas da área, Saito irá ajudá-lo a voltar para os Estados Unidos. Cabe a Cobb reunir uma equipe talentosa para realizar esse feito.

A sensação e comparação com o filme Matrix (1999) é constante. Pois Nolan reitera no seu roteiro acerca do que é real e o que é uma ilusão. Contudo, há maior liberdade no mundo dos sonhos do que da Matrix. As modificações na geografia do mundo estão a mercê do Arquiteto, sujeito criador do sonho no qual os outros foram inseridos. Graças a essa trama, a estética do filme fica interessante com as possibilidades conferidas, a mudança de cenário, a destruição do ambiente por parte de fatores externos, a gravidade zero entre outras idéias criativas para assimilação da influencia externa nos nossos sonhos.

O que faz uma ideia dessa funcionar é com quanto de naturalidade você apresenta para o público. Christopher Nolan decide jogar o público no mundo de A Origem sem sabermos de como funciona as regras do jogo, ficamos perdidos, mas presos a tentar entender o que se passa e as conseqüências de cada ato dos personagens na trama. Porém, didaticamente Nolan insere o que podemos chamar de “aprendiz”, personagem que está entrando agora no mundo desconhecido e que vai ter a tutela do protagonista ou de outro personagem e enquanto aprende as regras o público finalmente fica ciente das regras daquele universo fílmico. Esse papel cabe a personagem de Ariadne (Ellen Page).

Em um mundo dos sonhos existem cortes rápidos que nos fazem pular de uma cena para outra, esse detalhe é alertado no filme, mas como na maioria dos longas-metragens, o filme também possui cortes de uma cena para outra, então como saber se o que está acontecendo é um sonho ou não? Essa é uma das brincadeiras feitas por Nolan para embaralhar a mente do público. As cenas de ação no filme merecem destaque, principalmente a tão falada luta em gravidade zero.


Em termos de interpretação Tom Hardy (Eames) rouba a cena, Leonardo DiCaprio não apresenta nada de novo e fica muito parecido com sua interpretação raivosa de Ilha do Medo (2010). Os demais atores trabalham com naturalidade, formando uma equipe dinâmica e carismática, o que nos faz torcer para que A Origem não seja aquele típico filme de equipe, no qual cada membro vai morrendo em um determinado ponto da trama.

A Origem é um filme de ação com trama envolvente e momentos originais. Christopher Nolan consegue criar mais um filme que fica na mente das pessoas mesmo ao final da sessão, até acabar a semana. Realizador de Amnésia (2001), O Grande Truque (2006) e Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008), qual será o próximo sucesso do diretor?



- SPOILER – O tão falado final de A Origem não passa de uma brincadeira do diretor para pegar os adoradores de tramas conspiratórias. O final com o peão girando, podemos perceber uma mudança no som, nítida de um peão quando pára de girar. Podem até falar da coincidência das crianças usarem a mesmas roupas da visão de Cobbs, mas conseguir a façanha de entrar em um sonho, depois no outro e depois no outro é demais. Pode ser que ao sair do aeroporto ele foi pego pelos homens de Saito e induzido ao sono. Mas quem seria o Arquiteto a se dispor de horas de sono com ele? O pai poderia fazer isso, mas ele mesmo não queria que Cobb vivesse em uma ilusão. Bem prefiro ser da turma dos otimistas e que ele conseguiu voltar para casa. Mas a intenção de Nolan foi essa com aquele final, propagar a discussão do que é real e imaginário.


Nota: 9,5


Rafael Sanzio

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A Ilha dos Mortos (Survival of the Dead)



Eu era fã de George A. Romero, mais conhecido como o mestre dos filmes de mortos-vivos, desde minha infância eu possuía um medo dos filmes com os famigerados zumbis. O que hoje tornou-se um apreço em assistir filmes desse tipo, mesmo com situações similares, com os personagens tentando sobreviver a calamidade apocalíptica. Mas parece que George perdeu o jeito e nos concedeu não um filme de terror, mas uma comédia de terror.

Na trama duas famílias rivais disputam o poder na Ilha Plum, de um lado os O’Flynn que acreditam que um zumbi bom é um zumbi morto, enquanto que os Muldoon optam por querer reeducar os mortos-vivos para mantê-los “vivos” até que surja uma cura. No embate, Patrick O’Flynn (Kenneth  Welsh) é  expulso da ilha e tenta sobreviver fora dela, até que surge a oportunidade de voltar com o encontro com mercenários dispostos a expulsar os Muldoon da ilha.

A interessante premissa dava indícios que poderiam surgir uma boa história, com esse conflito novo de querer manter os entes queridos e outros querendo estourar os seus miolos. Mas o problema do filme é a falta de seriedade que ele se trata, jogando no lixo qualquer pretensão de susto, terror ou crítica social. 


Romero investe nos efeitos especiais que realmente são trash nesse filme, utilizando-os para mostrar “novas maneiras de se matar um zumbi”, mas visualmente ficaram de má qualidade. A trilha sonora é infantil e não induz em nenhum momento ao medo ou a tensão, apenas a comédia. Que nem isso é engraçado.

Infelizmente George A. Romero tentou ser engraçado, rendeu-se aos efeitos especiais digitais ruins e pensou estar competindo com filmes como Zumbilândia (2009). Se o diretor clássico de zumbis não voltar para suas origens, ou ao menos manter-se fiel a concepção dramática de Terra dos Mortos (2005) e Diário dos Mortos (2007), a Era Romero terá um fim. E um viva para The Walking Dead na Fox!



Rafael Sanzio


Nota: 3

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2 - Recomendo!



O que fez o filme Tropa de Elite (2007) um sucesso? A violência? O personagem Capitão Nascimento? Ou o estilo de contar a história? Digamos que foram os três fatores citados. O ponto de vista da polícia derrotando os bandidos no melhor estilo da brincadeira “polícia e ladrão”, a personalidade forte de Capitão Nascimento transformando-se no nosso Chuck Norris e o estilo do filme e parecido com os filmes americanos de ação.

Nesta seqüência, Capitão Nascimento (Wagner Moura) agora é tenente-coronel, devido a sua competência consegue chegar a uma posição que nenhum caveira tinha chegado, ao de sub-secretário de segurança. Mais perto do poder, Nascimento acredita que poderá por um fim na violência que assola o Rio de Janeiro, mas logo vai perceber que o problema não são os traficantes, mas o próprio sistema que controla a cidade.

Devido ao sucesso do primeiro filme era de se acreditar que o diretor José Padilha enveredasse para a mesma linha de raciocínio do primeiro, muito tiroteio e voz off A narração de Nascimento continua, com seus comentários ácidos sobre sua visão de mundo, mas o diretor segue audaciosamente uma linha diferente. Tropa de Elite 2 (2010) não é um filme que se sustenta em sua violência, mas no personagem de Wagner Moura. Há momentos de dramas familiares, patrulhas do BOPE e a dura realidade desse novo vilão chamado politicagem, que nos angustia mais que um grupo de traficantes atacando os protagonistas.

O roteiro toma cuidado para não fazer apologia a violência, tanto que Nascimento mantém sua opinião sobre os intelectuais filhinhos de papai, contudo, o personagem Fraga (Irandhir Santos) é bem mais complexo do que uma definição como “político idealista”. Matias (André Ramiro) torna-se mais amargo, mediante o caminho que seguiu para se tornar Capitão, já o tenente-coronel Nascimento cada vez mais entra em depressão, afundando no abismo que é a vida sem um propósito definido, a vida recheada e cercada por violência.

As adições para o elenco destacam-se o André Mattos como o deputado Fortunato, trazendo sua veia cômica e “homenageando” nossos apresentadores sensacionalistas. O filme perde-se um pouco quando se mantém por tempo demais em cenas do deputado apresentando o programa, é engraçado, mas o ritmo desenvolvido vai esfriando até retomar a força na cena seguinte. O antagonista Major Rocha (Sandro Rocha) consegue ser bem mais perigoso visualmente e presencialmente do que o vilão Baiano do primeiro.


O estilo de direção liberta-se um pouco mais, temos a presença de câmera lenta, surpresas proporcionadas pelo simples ângulo de câmera e flashfowards falsos. Esse último provocando agradáveis surpresas e uma dinâmica divertida com o público desatento. Para um fã de ação vale um aviso, Tropa de Elite 2 tem menos ação, mas não é menos interessante. Apesar de que, se analisarmos bem, repete-se ações do primeiro, como Nascimento se motivar para ação apenas quando perde algo importante.

Conseguindo manter em segredo o filme até sua estréia, Tropa de Elite 2 atualmente já está nas piratarias que, de certa forma, fizeram seu sucesso, mas não lucro. Com essa seqüência José Padilha demonstra que franquia Tropa de Elite não é apenas um filme de ação, mas um canal para uma crítica a nossa política atual e uma resposta dos brasileiros mostrando o que queriam fazer com políticos corruptos, quem não se imaginou no lugar de Nascimento ao aplicar aqueles socos no político safado?


Nota: 9


Rafael Sanzio

sábado, 25 de setembro de 2010

Resident Evil 4: Recomeço - 3D


O que devemos ter consciência é que a franquia do cinema de Resident Evil não é fiel a série de jogos da Capcom. Paul W.S. Anderson criou uma personalidade própria ao filme, com alguns elementos dos jogos que podemos chamar de “homenagens” ou também uma apropriação dos personagens. Resident Evil 4: Recomeço (2010) tem mesmo a intenção de recomeçar a série de filmes, afastando da visão megalomaníaca de fim de mundo desértico abordado no terceiro filme. Muito acertadamente retoma ao clima urbano e elementos da série nos vídeo games, aliado ao 3D e ótimos efeitos especiais torna-se um filme divertido a despeito das críticas ao roteiro.

A história acompanha Alice (Milla Jovovich) na sua jornada contra a Empresa Umbrella Corporation causadora de todo caos que acontece no mundo e do seu atual presidente, Albert Wesker (Shawn Roberts). Após a batalha Alice busca os sobreviventes da devastação zumbi, em especial o grupo de amigos, entre eles Claire Redfield (Ali Larter).

O diretor e roteirista Paul W.S. Anderson investe mais em estilo do que na história. A trama é bastante simples e rasa, com a busca de Alice e os momentos de ação. Tanto é que os personagens possuem poucas falas além daquelas pré-existentes em um filme de zumbis, as cenas com longas falas são os monólogos de Alice no início, mas é tão batido o diário de bordo que torna-se cansativo e desnecessário. Retirando a seqüência de ação inicial lembrando descaradamente o filme Matrix (1999), as demais seqüências são empolgantes a exemplo da batalha entre Wesker e os irmãos Redfield. O uso do 3D não é exagerado e os efeitos especiais em sua maioria são de ótima qualidade.

O diretor diminui no roteiro o excesso de poder dado a Alice e a dimensão destrutiva causada pelo 3º filme, o que realmente adquire pontos ao estilo do longa metragem voltando aos momentos claustrofóbicos, suspense e situações típicas de filme de morto-vivos, com os dilemas de sobrevivência. Há uma nova turma de coadjuvantes que tentam conquistar o público para que não representem apenas “personagens que vão morrer”.


Os aficionados pelos jogos podem reclamar, mas o clima do novo filme remete aos jogos da série, isso quem diz é um jogador da série Residente Evil! Personagens como o monstro do machado, o próprio Wesker, Chris Redfield e Claire Redfield, são transportados apenas com o estilo visual e outros só com o nome. O grupo de sobreviventes lembra muito o jogo Left 4 Dead (XBOX 360) , é preciso perceber com calma se há a sensação de jogo de vídeo game, não apenas criticar os personagens que não foram transpostos com fidelidade para a película.

Milla Jovovich volta disposta a encarar lutas e tiroteios, já encarnando a personagem com naturalidade ou absorvendo o que tem de profundo na personalidade de Alice para transpor. Já o ator Wentworth Miller (Chris Redfield) força uma atuação caricata de machão que devemos desconfiar. Eu não sei o que acontece com Miller, mas que tipo de atuação é aquela? Ele estava brincando ou realmente o personagem não tinha nada para desenvolver? Já Shawn Roberts (Albert Wesker) atua como uma versão jovial de Arnold Schwarzenegger em O Exterminador do Futuro, mas não difere tanto de sua representação nos games.  

Resident Evil 4: Recomeço tem seu ritmo definido pela ação, o filme torna-se divertido mediante o uso do 3D, sem ele o roteiro destaca-se mais e talvez a ida ao cinema não seja tão recompensadora. A franquia ganha novo fôlego e retoma o clima dos vídeo games!

Obs: Fiquem um pouco mais durante a exibição dos créditos, há uma cena extra. Quem se lembra de Resident Evil 2 vai ter um impacto maior com ela.


Nota: 7


Rafael Sanzio