terça-feira, 23 de novembro de 2010

Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1 (Harry Potter and the Deathly Hollows - Part 1)



“A franquia que sobreviveu”. A série de livros de Harry Potter já chegou ao fim e a série de filmes trilha o mesmo caminho. Diferente de Eragon (2006) ou Percy Jackson e o Ladrão de Raios (2010), os filmes do bruxo de J.K. Rowling fizeram sucesso desde o começo, galgando mais e mais recordes a cada nova edição. E o interessante é a evolução que deu-se nos longas-metragens, tanto na idade dos seus protagonistas que cresceram junto ao seu público como nas próprias adaptações, com a fidelidade extremada de clima e roteiro dos primeiros filmes as licenças poéticas produzidas por cada diretor. Agora, Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 (2010) inicia o fim da franquia e prepara bem, sem pressa, o final de uma era.

Na trama, Dumbledore (Michael Gambon) está morto, Voldemort (Ralph Fiennes) é uma realidade e começa seu reinado das trevas. Harry (Daniel Radcliffe), Rony (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson) começam sua jornada para encontrar as Horcruxes, pedaços da alma de Voldemort, se eles conseguirem destruir todas há uma chance do Lorde das Trevas ser derrotado. Enquanto isso, Voldemort procura desesperadamente uma maneira de driblar a ligação entre ele e “o menino que sobreviveu”, para que finalmente ele possa destruir o escolhido.

O que percebe-se pelo filme é a tranqüilidade de David Yates em contar a história do sétimo livro, dividida em duas partes, é notável o cuidado do diretor em transmitir o que se passa na mente dos personagens, angústias, medos e desespero. Ele não tem a preocupação de colocar cada cena vista no livro, ou cada frase, ele teve a preocupação de amarrar cada cena e cada sequencia, tornando-se uma das melhores adaptações do filme do bruxo, não possuindo cortes abruptos ou qualquer sequencia que nos deixe uma lacuna no roteiro.

O sétimo filme não poderia ser diferente dos demais, há a evolução de maturidade da ambiência e estética do longa. A trilha sonora está mais sombria, as cores mais tensas e que causam desolação e desespero dos personagens. A sequencia inicial com Hermione é tocante e triste, conseguindo retirar uma carga emotiva de Emma Watson. Quanto as cenas de ação é interessante analisar a tentativa, em algumas, de torná-las mais reais. Sai os nomes dos feitiços, entra raios destruidores, o que poderia fazer com que imaginássemos pistolas nas mãos dos bruxos e achar que era um filme de policial.

Apesar da curta participação, Bill Nighy como o novo ministro da magia Rufus Scrimgeour marca sua passagem. A narrativa inicial, adicionado com sua interpretação e carisma fazem valer a contribuição do ator inglês no elenco. Outro que se destaca é Peter Mullan que interpreta o bruxo das trevas Yaxley, suas feições fortes e maldade exprimida nos olhos tornam a sequencia da invasão do Ministério da Magia ainda melhor e com o título de melhor sequencia de ação do filme. A atriz Imelda Staunton como Umbridge absorveu o papel de forma assustadora. É legal o que o roteiro proporciona, a poção polissuco que transforma o usuário em uma outra pessoa dá uma chance muito divertida a atores “figurantes” que em outros filmes não teriam a mesma chance. Como aconteceu em Harry Potter e a Câmara Secreta (2002) com o destaque para Crabbe e Goyle, aqui três personagens desconhecidos se destacam com suas expressões e trejeitos dos protagonistas. Isso poderia ter sido mudado caso o diretor escolhesse mostrar apenas os atores principais e num jogo de câmera descartar as atuações dos figurantes. Ainda bem que não fizeram isso e optaram por ensaiar bem as interpretações dos coadjuvantes.


Mas enquanto aos principais? Acredito que em relação a atuações destacam-se os papeis menores, mas é nítido a melhora dos nossos três protagonistas. Já Ralph Fiennes embarcou em uma interpretação teatral demais para Voldemort, tão teatral que fica difícil achar que seus seguidores realmente precisam ter medo dele. É mais fácil temer Yaxley ou Nagini, cobra de estimação do Lorde das Trevas.

Mas nem tudo são flores no sétimo filme. Apesar dos efeitos especiais estarem bons, o filme peca em exagerar nas cenas do acampamento. No livro, os personagens sofrem com a falta de ação que é esperar o momento para agir e David Yates conseguiu passar essa sensação para nós. As cenas emotivas ou solução de enigmas são artificiais demais ou não fortes o suficiente para que compensassem a falta de ação e extensão da sequencia do acampamento. Essa extensão poderia ser reduzida para mostrar cenas que não estão no livro, como mortes de personagens que foram apenas citadas na trama, perdeu-se a oportunidade de mostrar o que houve, sob o aval da autora e assim apresentar algo de novo ao público.

Contudo, poucos contras afetam o desempenho de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1. A primeira parte do desfecho da séria capta vários momentos interessantes do livro, possui uma direção envolvente e caprichada. Um ótimo preparador para o final da série, que aposto em uma coisa: o duelo de Voldemort e Harry Potter vai ser bem melhor do que o do livro.


Nota: 8


Rafael Sanzio  


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A Origem (Inception)


Antes de começar a crítica é preciso esclarecer um termo utilizado entre os cinéfilos e é muito importante que àqueles que desconhecem a palavra saibam seu significado para não serem pegos de surpresa. O termo ao qual me refiro é “SPOILER” esta palavra quando antecede algum texto sobre um filme alerta que as informações a seguir contem detalhes da trama do filme que talvez você não queira saber se ainda não o assistiu. Ou seja, caso veja esta palavra, pense duas vezes antes de continuar a ler, da mesma forma que é importante você colocar a palavra spoiler bem nítido no começo de qualquer texto que vá contar detalhes específicos dos filmes, os cinéfilos agradecem.

O filme A Origem (2010) parte da interessante ideia de um mundo onde as pessoas podem invadir os sonhos e roubarem segredos de suas vítimas. Temos a sensação de estarmos em um filme de Matrix, sem as excessivas pancadarias e de certa forma mais real. Christopher Nolan já se firmou como um diretor criativo, capaz de realizar filmes com roteiros bem amarrados e tramas envolventes.

A história acompanha Cobb (Leonardo DiCaprio), um ladrão de sonhos que tenta desesperadamente encontrar uma forma de voltar aos EUA sem ser preso devido a uma acusação por homicídio. A oportunidade aparece quando um empresário japonês Saito (Ken Watanabe) propõe uma troca, que Cobb consiga implantar uma ideia na mente Richard Fischer (Cillian Murphy) herdeiro das empresas Fischer, caso seja bem sucedido nessa tarefa impossível para os especialistas da área, Saito irá ajudá-lo a voltar para os Estados Unidos. Cabe a Cobb reunir uma equipe talentosa para realizar esse feito.

A sensação e comparação com o filme Matrix (1999) é constante. Pois Nolan reitera no seu roteiro acerca do que é real e o que é uma ilusão. Contudo, há maior liberdade no mundo dos sonhos do que da Matrix. As modificações na geografia do mundo estão a mercê do Arquiteto, sujeito criador do sonho no qual os outros foram inseridos. Graças a essa trama, a estética do filme fica interessante com as possibilidades conferidas, a mudança de cenário, a destruição do ambiente por parte de fatores externos, a gravidade zero entre outras idéias criativas para assimilação da influencia externa nos nossos sonhos.

O que faz uma ideia dessa funcionar é com quanto de naturalidade você apresenta para o público. Christopher Nolan decide jogar o público no mundo de A Origem sem sabermos de como funciona as regras do jogo, ficamos perdidos, mas presos a tentar entender o que se passa e as conseqüências de cada ato dos personagens na trama. Porém, didaticamente Nolan insere o que podemos chamar de “aprendiz”, personagem que está entrando agora no mundo desconhecido e que vai ter a tutela do protagonista ou de outro personagem e enquanto aprende as regras o público finalmente fica ciente das regras daquele universo fílmico. Esse papel cabe a personagem de Ariadne (Ellen Page).

Em um mundo dos sonhos existem cortes rápidos que nos fazem pular de uma cena para outra, esse detalhe é alertado no filme, mas como na maioria dos longas-metragens, o filme também possui cortes de uma cena para outra, então como saber se o que está acontecendo é um sonho ou não? Essa é uma das brincadeiras feitas por Nolan para embaralhar a mente do público. As cenas de ação no filme merecem destaque, principalmente a tão falada luta em gravidade zero.


Em termos de interpretação Tom Hardy (Eames) rouba a cena, Leonardo DiCaprio não apresenta nada de novo e fica muito parecido com sua interpretação raivosa de Ilha do Medo (2010). Os demais atores trabalham com naturalidade, formando uma equipe dinâmica e carismática, o que nos faz torcer para que A Origem não seja aquele típico filme de equipe, no qual cada membro vai morrendo em um determinado ponto da trama.

A Origem é um filme de ação com trama envolvente e momentos originais. Christopher Nolan consegue criar mais um filme que fica na mente das pessoas mesmo ao final da sessão, até acabar a semana. Realizador de Amnésia (2001), O Grande Truque (2006) e Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008), qual será o próximo sucesso do diretor?



- SPOILER – O tão falado final de A Origem não passa de uma brincadeira do diretor para pegar os adoradores de tramas conspiratórias. O final com o peão girando, podemos perceber uma mudança no som, nítida de um peão quando pára de girar. Podem até falar da coincidência das crianças usarem a mesmas roupas da visão de Cobbs, mas conseguir a façanha de entrar em um sonho, depois no outro e depois no outro é demais. Pode ser que ao sair do aeroporto ele foi pego pelos homens de Saito e induzido ao sono. Mas quem seria o Arquiteto a se dispor de horas de sono com ele? O pai poderia fazer isso, mas ele mesmo não queria que Cobb vivesse em uma ilusão. Bem prefiro ser da turma dos otimistas e que ele conseguiu voltar para casa. Mas a intenção de Nolan foi essa com aquele final, propagar a discussão do que é real e imaginário.


Nota: 9,5


Rafael Sanzio

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A Ilha dos Mortos (Survival of the Dead)



Eu era fã de George A. Romero, mais conhecido como o mestre dos filmes de mortos-vivos, desde minha infância eu possuía um medo dos filmes com os famigerados zumbis. O que hoje tornou-se um apreço em assistir filmes desse tipo, mesmo com situações similares, com os personagens tentando sobreviver a calamidade apocalíptica. Mas parece que George perdeu o jeito e nos concedeu não um filme de terror, mas uma comédia de terror.

Na trama duas famílias rivais disputam o poder na Ilha Plum, de um lado os O’Flynn que acreditam que um zumbi bom é um zumbi morto, enquanto que os Muldoon optam por querer reeducar os mortos-vivos para mantê-los “vivos” até que surja uma cura. No embate, Patrick O’Flynn (Kenneth  Welsh) é  expulso da ilha e tenta sobreviver fora dela, até que surge a oportunidade de voltar com o encontro com mercenários dispostos a expulsar os Muldoon da ilha.

A interessante premissa dava indícios que poderiam surgir uma boa história, com esse conflito novo de querer manter os entes queridos e outros querendo estourar os seus miolos. Mas o problema do filme é a falta de seriedade que ele se trata, jogando no lixo qualquer pretensão de susto, terror ou crítica social. 


Romero investe nos efeitos especiais que realmente são trash nesse filme, utilizando-os para mostrar “novas maneiras de se matar um zumbi”, mas visualmente ficaram de má qualidade. A trilha sonora é infantil e não induz em nenhum momento ao medo ou a tensão, apenas a comédia. Que nem isso é engraçado.

Infelizmente George A. Romero tentou ser engraçado, rendeu-se aos efeitos especiais digitais ruins e pensou estar competindo com filmes como Zumbilândia (2009). Se o diretor clássico de zumbis não voltar para suas origens, ou ao menos manter-se fiel a concepção dramática de Terra dos Mortos (2005) e Diário dos Mortos (2007), a Era Romero terá um fim. E um viva para The Walking Dead na Fox!



Rafael Sanzio


Nota: 3

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2 - Recomendo!



O que fez o filme Tropa de Elite (2007) um sucesso? A violência? O personagem Capitão Nascimento? Ou o estilo de contar a história? Digamos que foram os três fatores citados. O ponto de vista da polícia derrotando os bandidos no melhor estilo da brincadeira “polícia e ladrão”, a personalidade forte de Capitão Nascimento transformando-se no nosso Chuck Norris e o estilo do filme e parecido com os filmes americanos de ação.

Nesta seqüência, Capitão Nascimento (Wagner Moura) agora é tenente-coronel, devido a sua competência consegue chegar a uma posição que nenhum caveira tinha chegado, ao de sub-secretário de segurança. Mais perto do poder, Nascimento acredita que poderá por um fim na violência que assola o Rio de Janeiro, mas logo vai perceber que o problema não são os traficantes, mas o próprio sistema que controla a cidade.

Devido ao sucesso do primeiro filme era de se acreditar que o diretor José Padilha enveredasse para a mesma linha de raciocínio do primeiro, muito tiroteio e voz off A narração de Nascimento continua, com seus comentários ácidos sobre sua visão de mundo, mas o diretor segue audaciosamente uma linha diferente. Tropa de Elite 2 (2010) não é um filme que se sustenta em sua violência, mas no personagem de Wagner Moura. Há momentos de dramas familiares, patrulhas do BOPE e a dura realidade desse novo vilão chamado politicagem, que nos angustia mais que um grupo de traficantes atacando os protagonistas.

O roteiro toma cuidado para não fazer apologia a violência, tanto que Nascimento mantém sua opinião sobre os intelectuais filhinhos de papai, contudo, o personagem Fraga (Irandhir Santos) é bem mais complexo do que uma definição como “político idealista”. Matias (André Ramiro) torna-se mais amargo, mediante o caminho que seguiu para se tornar Capitão, já o tenente-coronel Nascimento cada vez mais entra em depressão, afundando no abismo que é a vida sem um propósito definido, a vida recheada e cercada por violência.

As adições para o elenco destacam-se o André Mattos como o deputado Fortunato, trazendo sua veia cômica e “homenageando” nossos apresentadores sensacionalistas. O filme perde-se um pouco quando se mantém por tempo demais em cenas do deputado apresentando o programa, é engraçado, mas o ritmo desenvolvido vai esfriando até retomar a força na cena seguinte. O antagonista Major Rocha (Sandro Rocha) consegue ser bem mais perigoso visualmente e presencialmente do que o vilão Baiano do primeiro.


O estilo de direção liberta-se um pouco mais, temos a presença de câmera lenta, surpresas proporcionadas pelo simples ângulo de câmera e flashfowards falsos. Esse último provocando agradáveis surpresas e uma dinâmica divertida com o público desatento. Para um fã de ação vale um aviso, Tropa de Elite 2 tem menos ação, mas não é menos interessante. Apesar de que, se analisarmos bem, repete-se ações do primeiro, como Nascimento se motivar para ação apenas quando perde algo importante.

Conseguindo manter em segredo o filme até sua estréia, Tropa de Elite 2 atualmente já está nas piratarias que, de certa forma, fizeram seu sucesso, mas não lucro. Com essa seqüência José Padilha demonstra que franquia Tropa de Elite não é apenas um filme de ação, mas um canal para uma crítica a nossa política atual e uma resposta dos brasileiros mostrando o que queriam fazer com políticos corruptos, quem não se imaginou no lugar de Nascimento ao aplicar aqueles socos no político safado?


Nota: 9


Rafael Sanzio

sábado, 25 de setembro de 2010

Resident Evil 4: Recomeço - 3D


O que devemos ter consciência é que a franquia do cinema de Resident Evil não é fiel a série de jogos da Capcom. Paul W.S. Anderson criou uma personalidade própria ao filme, com alguns elementos dos jogos que podemos chamar de “homenagens” ou também uma apropriação dos personagens. Resident Evil 4: Recomeço (2010) tem mesmo a intenção de recomeçar a série de filmes, afastando da visão megalomaníaca de fim de mundo desértico abordado no terceiro filme. Muito acertadamente retoma ao clima urbano e elementos da série nos vídeo games, aliado ao 3D e ótimos efeitos especiais torna-se um filme divertido a despeito das críticas ao roteiro.

A história acompanha Alice (Milla Jovovich) na sua jornada contra a Empresa Umbrella Corporation causadora de todo caos que acontece no mundo e do seu atual presidente, Albert Wesker (Shawn Roberts). Após a batalha Alice busca os sobreviventes da devastação zumbi, em especial o grupo de amigos, entre eles Claire Redfield (Ali Larter).

O diretor e roteirista Paul W.S. Anderson investe mais em estilo do que na história. A trama é bastante simples e rasa, com a busca de Alice e os momentos de ação. Tanto é que os personagens possuem poucas falas além daquelas pré-existentes em um filme de zumbis, as cenas com longas falas são os monólogos de Alice no início, mas é tão batido o diário de bordo que torna-se cansativo e desnecessário. Retirando a seqüência de ação inicial lembrando descaradamente o filme Matrix (1999), as demais seqüências são empolgantes a exemplo da batalha entre Wesker e os irmãos Redfield. O uso do 3D não é exagerado e os efeitos especiais em sua maioria são de ótima qualidade.

O diretor diminui no roteiro o excesso de poder dado a Alice e a dimensão destrutiva causada pelo 3º filme, o que realmente adquire pontos ao estilo do longa metragem voltando aos momentos claustrofóbicos, suspense e situações típicas de filme de morto-vivos, com os dilemas de sobrevivência. Há uma nova turma de coadjuvantes que tentam conquistar o público para que não representem apenas “personagens que vão morrer”.


Os aficionados pelos jogos podem reclamar, mas o clima do novo filme remete aos jogos da série, isso quem diz é um jogador da série Residente Evil! Personagens como o monstro do machado, o próprio Wesker, Chris Redfield e Claire Redfield, são transportados apenas com o estilo visual e outros só com o nome. O grupo de sobreviventes lembra muito o jogo Left 4 Dead (XBOX 360) , é preciso perceber com calma se há a sensação de jogo de vídeo game, não apenas criticar os personagens que não foram transpostos com fidelidade para a película.

Milla Jovovich volta disposta a encarar lutas e tiroteios, já encarnando a personagem com naturalidade ou absorvendo o que tem de profundo na personalidade de Alice para transpor. Já o ator Wentworth Miller (Chris Redfield) força uma atuação caricata de machão que devemos desconfiar. Eu não sei o que acontece com Miller, mas que tipo de atuação é aquela? Ele estava brincando ou realmente o personagem não tinha nada para desenvolver? Já Shawn Roberts (Albert Wesker) atua como uma versão jovial de Arnold Schwarzenegger em O Exterminador do Futuro, mas não difere tanto de sua representação nos games.  

Resident Evil 4: Recomeço tem seu ritmo definido pela ação, o filme torna-se divertido mediante o uso do 3D, sem ele o roteiro destaca-se mais e talvez a ida ao cinema não seja tão recompensadora. A franquia ganha novo fôlego e retoma o clima dos vídeo games!

Obs: Fiquem um pouco mais durante a exibição dos créditos, há uma cena extra. Quem se lembra de Resident Evil 2 vai ter um impacto maior com ela.


Nota: 7


Rafael Sanzio

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Criação



A Origem das Espécies foi um marco para a ciência, graças a Charles Darwin foi comprovado por meios científicos a evolução das espécies caracterizando-se por uma batalha pela sobrevivência onde o mais forte passava para a próxima geração. Mas criar esse livro foi uma tarefa fácil para o cientista? Será que sua força também foi testada a ponte de ver se ele teria força de vontade para concluir uma obra tão polemica? O filme Criação (2009) baseado no livro Annie’s Box de Randal Keynes retrata os momentos da vida de Charles Darwin no processo de criação de seu famoso livro A Origem das Espécies. Com uma direção cuidadosa de Jon Amiel o filme torna-se em uma obra delicada e reflexiva, transportando-se com naturalidade para aquela época e os conflitos morais que uma publicação como esta acarretaria dentro da família do cientista.

Na trama, Charles Darwin (Paul Bettany) continua em sua incessante pesquisa para o desenvolvimento de seu livro sobre a evolução das espécies, porém, sofre com a pressão exercida pelos seus colegas que buscam a vitória contra a religião e a publicação imediata do livro. Enquanto que percebe que sua família começa a se desestruturar por seu distanciamento provocado pela concentração única no trabalho. Em meio a tudo isso o cientista enfrenta uma doença que abala sua saúde física e mental, seria a causa o excesso de trabalho ou uma punição de Deus?

O que percebemos logo de início é o objetivo de separar a ciência da religião. Como em uma guerra onde Darwin está no meio, de um lado o cético Thomas Huxley (Toby Jones) agressivo em suas afirmações pelo fato de Darwin ter matado Deus e do outro lado Emma Darwin (Jennifer Connelly) a religiosa esposa de Charles Darwin que teme a separação eterna entre ela e o marido caso ele publique o profano livro. O que naquela época era preciso separar por causa do forte preconceito, hoje a religião e a ciência podem ser interligadas, ao menos na conceituação de “fé”. Mas o que podemos interpretar pelo roteiro é que o ódio dos céticos está muito mais nos dogmas da Igreja do que em Deus, apesar deles enfatizarem o nome Dele.

O longa metragem possui 108 minutos de duração, mas parece ter mais mediante a quantidade de detalhes e a história envolvente. O uso de flashbacks e simulações durante as narrações de Darwin produzem uma dinâmica que torna o filme menos cansativo em comparação se tivessem usado apenas a trama principal focada no momento presente do cientista. O que vale parabenizar o diretor Jon Amiel pelas seqüências dos delírios e sonhos de Charles Darwin, que possuem muitos símbolos que são difíceis de reconhecê-los assistindo a obra apenas uma vez. É criada essa contradição em estar falando sobre um homem racional e ser desenvolvida essas seqüências tão poéticas, como também vista na cena do ciclo da vida onde mostra o pássaro alimentando-se do verme, mas no final o filhote do pássaro alimentará outros vermes.

Desconheço o orçamento da produção, mas o trabalho de figurino de Louise Stjernsward e a cenografia de Laurence Dorman estão excelentes, somos transportados para o século XVIII com naturalidade. Esta naturalidade também provém da trilha sonora de Christopher Young, filmes de época quase sempre conseguem transmitir o requinte e aparente civilidade com sua trilha sonora.


O elenco de Criação merece destaque, Paul Bettany transfere bem para si o dilema de Charles Darwin em estar do lado da ciência e perceber que vai contra a sociedade com a fé cega que obedece sem questionar. No trailer podemos interpretar a personagem de Jennifer Connelly como a beata incurável, mas não, a interpretação de Connelly nos faz questionar os verdadeiros motivos de Emma por estar contra as ações do marido. Não é a religião, mas sim o amor dela pelo marido e a tentativa de manter a família unida que a fez ter a religião como suporte a tentar manter Darwin ao lado da Igreja. A atriz Martha West (Annie) demonstra com facilidade a maturidade que sua personagem tem para a idade, apesar de se render ao seu lado infantil em certos momentos.

Com momentos tenros e reflexivos, Criação é um filme produzido com todo respeito a obra e vida do cientista Charles Darwin. Seus conflitos são mostrados sem exageros com a interpretação dedicada de Paul Bettany, sem realmente demonstrar em que lado Darwin ficou. Com interseções de tramas paralelas, histórias contadas por Darwin para explanar o ciclo da vida, o longa metragem ganha em drama e sensibilidade, não dá para não ficar emocionado com o final da história de Jenny.

Errado em sua teoria ou não, Charles Darwin marcou a história científica do mundo com seu livro e o filme Criação respeita a representação deste homem mostrando suas qualidades e defeitos. Uma biografia humanizada que deve ser apreciada pelos interessados no assunto.

Nota: 9

Rafael Sanzio

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O Psicólogo



Existem filmes que vão direto para DVD não tendo forças suficientes para embarcar em uma temporada nas salas de cinema. Isso acontece porque a distribuidora acha que o filme em questão não vai atrair o grande público. Esse fato define o filme como uma obra ruim? Não. É o caso do filme O Psicólogo (2009), apesar de concordar que o longa-metragem não faria uma boa bilheteria ele é um bom filme para se assistir em casa com a família oferecendo-nos Kevin Spacey como protagonista.

O filme mostra a vida de Henry Carter (Kevin Spacey) psicólogo de estrelas de Hollywood que precisa enfrentar a perda da esposa. Como um tipo de terapia, o pai de Henry (Robert Loggia) resolve passar uma paciente “normal” para o psicólogo. Com esse novo tipo de paciente Carter vai perceber se ainda pode curar pessoas ou não.

Seguindo a mesma estrutura narrativa de filmes como Crash (2004), Simplesmente Amor (2003) e Banquete do Amor (2008), o longa-metragem do diretor Jonas Pate nos fornece uma quantidade considerável de personagens que estão ligados de uma maneira ou de outra ao psicólogo do título. O fato de ter vários personagens propõe uma dinâmica na narrativa, mas sofre na superficialidade com que é tratada cada história individual.

Graças a atuação de Kevin Spacey seu personagem não sofre com a superficialidade narrativa, o ator de Beleza Americana consegue transmitir o vazio que o psicólogo sente com a perda da mulher, mesmo que talvez seja considerado fácil interpretar um “chapado”. Robin Williams faz uma participação na filme e continua na sua tentativa de interpretar personagens adultos e verossímeis.


O tom do filme é melancólico e letárgico, entrando em sintonia com a tristeza e torpor ao qual Henry Carter está, podemos perceber isso com os ângulos de câmera quase nunca fixos. O que surpreende no filme é seu otimismo no desfecho da trama, talvez para paralelizar com as histórias tristes que descambam para a tragédia, mas acreditar na bondade geral de astros de Hollywood problemáticos, só em um filme sobre um psicólogo.

O longa mostra que psicólogos são tão problemáticos quanto seus pacientes, afinal, são humanos como nós. O que difere um bom psicólogo de um ruim é que ele tenta enfrentar seus problemas ao invés de construir a ilusão de que nada pode atingi-lo.


Nota: 8,5


Rafael Sanzio