terça-feira, 30 de setembro de 2008

Speed Racer - DVD


Os irmãos Wachowski são conhecidos por sua trilogia Matrix. O primeiro filme foi um marco de ação, efeitos visuais e história envolvente. Os outros dois tornaram-se esquecíveis. V de Vingança apesar de ter um enredo interessante com o personagem terrorista mascarado não chegou a ter o grande sucesso de bilheteria como o esperado e o último filme feito pelos irmãos, Speed Racer (2008), foi um fiasco na bilheteria.

As explicações para o porquê do insucesso de Speed Racer podem ser várias, o que mais se fala é da qualidade do filme. Mas também podemos dizer que o filme pode não ter cativado por ser uma adaptação de um anime, que dito por alguns entendidos, ser um desenho muito chato. É por essa discussão da qualidade do filme que me fez postar essa crítica em favor do filme que está agora disponível em DVD.

É certo que os diretores erraram na mão ao exagerar nas cores e brilhos do longa. Além de criarem certa confusão durante a seqüência final da última corrida, inventaram os “chutes” dos carros difíceis de engolir e também saltos acompanhados por vergonhosos sons que lembram a trilha de Jason.

Apesar desses erros, também é certo lembrar que esse é um filme-família. Vale ressaltar então os valores que o filme possui para agradar esse público onde pais passam um tempo para assistir um bom filme com os filhos. Em Speed Racer está a proposição da “família unida, jamais será vencida!”. E o elenco está muito à vontade em seus papéis, com astros como John Goodman, Susan Sarandon, Emile Hirsch e ainda com o destaque para o jovem ator Paulie Litt como o filho mais novo dessa família Racer.

A história é sobre Speed Racer (Hirsch), filho do meio de uma família que respira corrida. O jovem vive à sombra do irmão mais velho Rex, que morreu em um suspeito acidente de carro. Quando Speed recusa uma oferta de parceria com o poderoso empresário Royalton, descobre que o mundo das corridas não é tão honesto assim e agora para sobreviver nas pistas precisará da ajuda de toda sua família, incluindo a ajuda da sua namorada Trixie (Cristina Ricci) e do misterioso Corredor X (Matthew Fox).

Por ser um filme família, vamos ver muitos carros explodindo, mas com seus pilotos saindo vivos em bolhas protetoras ou até mesmo como aquelas explosões de desenho animado onde segundos depois aparece o piloto em um pára-quedas. Sou fã confesso do desenho Corrida Maluca, então posso dizer sem medo que adorei as armas e os tipos de corredores que existem no filme. Mas há momentos de liberdade desse estereotipo de filme sem violência, na seqüência dos mafiosos (com influência de Laranja Mecânica), não por mostrar aquele pedaço de carne retirado de um filme dos Flinstones, mas na cena onde o chefe mafioso ordena que seu subalterno coloque o dedo dentro do buraco do aquário para salvar seus “peixinhos”. Quem assistir vai entender do que estou falando, essa cena pode ter passado despercebida por muitos simplesmente por estarem acostumados com violências em filmes muito mais gratuitas.



Já que também é um filme de corrida, vamos falar das corridas! A primeira foi um tanto quanto prejudicada pelo excesso de flashbacks, mas foi o jeito dos irmãos Wachowski contarem a dramática história da família Racer sem ter que recorrer a uma linha de narração totalmente linear. A segunda corrida, Casa Cristo, foi um exemplo de como deveria ser todas as corridas de Speed Racer. Sensacional a transições de tela para mostrar como alguns corredores foram comprados e com a música empolgante ao fundo. A terceira corrida também foi boa, mas o excesso de cores e brilhos para mostrar como alucinante era o final da corrida pode deixar alguns telespectadores zonzos.

Essa linha de defesa do filme está ficando um pouco grande e aviso que não é para apontar o filme como espetacular, de forma alguma, mas que ele merece sim ser assistido de forma casual com sobrinhos, primos e só depois ser taxado de ruim ou não. Eu era um dos que previram que o filme seria uma bomba, mas não fiquei só no “achar”, fui conferir o filme e gostei da diversão casual.

Com Speed Racer podemos até fazer algumas comparações que os Wachowski não esperavam. Como comparar o empresário Royalton com Hollywood, que desvirtua jovens talentos como os próprios diretores. Que saíram do excelente Matrix para as suas duas seqüências recheadas de efeitos especiais e sem qualquer traço de originalidade que antes possuíam.

Nota: 7,5

Rafael Sanzio

domingo, 28 de setembro de 2008

Editando

Fazer uma crítica de um filme é algo complicado quando se está falando de um filme que você assistiu uma única vez no cinema. E se você fizer parte daquele grupo que não tem dinheiro para ir assistir o filme mais de uma vez, aí fica realmente complicado.

O humor do dia também influência muito em uma crítica, então você tem que ter certeza de que está bem de espírito para não acabar com um filme simplismente porque você estava de mal humor.

Mas para deixar claro minhas opiniões sobre um determinado filme que realizo a crítica, colocarei notas no final do texto. Pensei em colocar estrelas mas o bom e velho sistema de notas serve mais. Colocarei um "Recomendo!" ao lado do título do filme caso este aborde temas interessantes ou for realmente bom, ou seja, não vai precisar ser um filme nota dez.

Ah! Já ia esquecendo, Trovão Tropical e Bezerra de Menezes já estão com suas respectivas notas.


Rafael Sanzio

sábado, 27 de setembro de 2008

Roman Polanski: Curtas Metragens


Curta metragem é onde se aprende o B + A = BA do cinema. A maioria dos diretores de cinema deve ter começado com um curta. É onde você experimenta, cria e define (talvez) qual o seu estilo antes de encarar (ou ter a oportunidade) a produção de um longa metragem.

Roman Polanski nasceu em Paris, mas tem sangue polonês nas veias. Fez filmes como O bebê de Rosemary (1968), Chinatown (1979) e O pianista (2002). Antes, estudou na Escola de Cinema de Lodz onde realizou alguns curtas.

Tive a oportunidade de assistir essa série de curtas que Polanski fez. São eles: Murder (1957); Teeth Smile (1957); Break up the dance (1957); Two Men and a Wardrobe (1958); Lampa (1959); When Angels Falls (1959); The Fat and the Lean (1961); Mammals (1962).

Teeth Smile (tradução literal: Sorriso de dentes) é a história de um homem que espreita a janela de um banheiro. Interessante analisar que antes da ação o personagem parece até uma pessoa decente. Quando ele olha a mulher no banheiro surge então aquele sorriso cheio de luxúria onde apenas aparecem os dentes. Vou até fazer uma comparação meio grotesca, o sorriso do homem parece o “sorriso” que os gatos dão ao cheirar uma fêmea.

O curta Lampa foi produzido durante o último ano de Polanski na Escola de Cinema de Lodz. Esse curta tem ares de uma história de terror, onde coisas estranhas acontecem durante uma noite dentro da loja de um homem que conserta bonecas. Agora não deixo de pensar um pouco além (ou no caso “viajar”), no começo da história o homem se utiliza de uma lamparina, depois chega a luz elétrica. Creio que a lâmpada representa a modernidade e o incêndio que ela provoca na loja seja uma metáfora da modernidade acabando com algumas profissões. Outro ponto é o relógio cuco que toca para dar idéia de tempo, passando da época da lamparina para a época da lâmpada.

Um curta que gostei muito foi When Angels Falls. A idéia para realizar esse curta surgiu de um artigo onde uma atendente de banheiro público (seria no caso aquelas pessoas que ficam sentadas no banheiro, cuidando da higiene, entregando toalhas etc) disse ter visões. Polanski em sua autobiografia revelou que achava essa profissão monótona, penosa, que ninguém prestava atenção numa velha atendente. A história mostra uma velha atendente que, apesar do olhar vago e da falta de importância que as pessoas dão para ela, a personagem possui uma extensa e dolorosa vida. Polanski usa uma maquete no começo do curta para mostrar a cidade onde acontece a história. Em seguida vemos o quão monótono é a profissão e os momentos solitários da mulher idosa passa naquele local. Surpreendeu-me a primeira retomada das lembranças da mulher, deixando o curta colorido para mostrar a juventude da anciã e sua época mais feliz. Enquanto ela continua alheia aos acontecimentos no lavatório, em suas lembranças a história mostra o crescimento de seu filho e a separação dos dois. Nos momentos finais da película o anjo do título cai dentro do banheiro público, revelando-se como o filho dela morto na guerra. Deixando claro que ele veio buscar a mãe.

Mammals pode ser considerado apenas um curta de homenagem aos clássicos mudos com várias gags (situações de piadas físicas). Mas creio que há uma crítica para nós mamíferos. O curta retrata dois homens que viajam pela neve em um trenó, sempre revezando para ver quem leva um e quem fica sentado no trenó. A crítica está no fato que cada um tenta arranjar uma desculpa para não mais puxar o trenó, invertendo as posições. Mostra então que os homens sempre estão querendo tirar proveito uns dos outros, no curta os dois acabam perdendo o trenó e quando parece que vão seguir viajem sem brigas, eis que um deles inventa mais uma desculpa para ser agora carregado pelo outro! A música nesse curta dita o ritmo da história ou seria o contrário? Mas a trilha sonora acompanha os momentos de aceleração e desaceleração da trama. E o curta em si é hilário.

Ufa! E pensar que ainda tem outro dvd com mais curtas para assistir.


Rafael Sanzio

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Trovão Tropical

(Obs: Não leiam a crítica da Veja sobre Trovão Tropical, ela faz o favor de contar dois “pontos de virada” da história. Eu poderia ter acompanhado o coro de risos se não tivesse lido).

Trovão Tropical (Tropic Thunder, 2008) é estrelado, co-roteirizado e dirigido por Ben Stiller. Conta ainda com as presenças de Jack Black, Robert Downey Jr e outras estrelas (algumas disfarçadas).

O filme retrata a história de um grupo de super astros que vão para o Vietnã para filmar uma superprodução, eles são dirigidos pelo novato Damien Cockburn (Steve Coogan). Entre os astros está o ator de ação Tugg Speedman (Stiller), o comediante Jeff Portnoy (Black) e o ator metódico Kirk Lazarus (Downey Jr.). O problema começa quando o orçamento estoura e o homem do dinheiro ameaça cancelar o filme. O diretor resolve então inovar, coloca seus atores mimados dentro da selva para ter atuações mais reais e controlá-los através do medo. Eles não imaginavam que encarariam situações absurdamente reais.

Algumas críticas dizem que Trovão Tropical começa com a apresentação de trailers falsos de filmes dos atores que participam do filme da história. Achei essa imersão uma boa sacada, mas quando fui assistir não teve nenhum sinal desses trailers, provavelmente deve ter sido um extra para sessão para a imprensa. Agora é esperar o DVD.

Toda a história serve de pano de fundo para as críticas ao mundo de Hollywood, com suas superproduções e produtores mal-caráter. E Stiller não poupa a própria raça de atores, satirizando o fato de adoções, causas ambientalistas que algumas estrelas entram só para a autopromoção e o fato de alguns não viverem sem os seus assistentes. O filme atira para todos os lados em questão de sátiras e críticas. O enredo poderia seguir o caminho em que todos pensam estar participando de um filme sem saber que tudo é real, mas ficaria parecido demais com O Homem que sabia de menos (1997) com Bill Murray.


Um detalhe para ser considerado é a ação, muito bem realizada e o tom de realidade que o filme impregna mesmo com algumas coisas absurdas que acontecem. Ponto para o Ben Stiller e o diretor de fotografia John Toll (Além da Linha Vermelha, Coração Valente, O Último Samurai).

Chamem-me de puritano, mas fiquei impressionado com a quantidade de palavrões proferidos durante a película. Especialmente vindo da boca do personagem de (prefiro que vocês adivinhem!) que faz o grande investidor do filme. Será que ninguém nos bastidores de Hollywood não possui uma boca limpa?

Agora eu tenho que falar sobre Robert Downey Jr. Que está muito feliz na sua atual fase, vindo de Homem de Ferro, ele se destaca novamente ao interpretar o ator Kirk Lazarus que para fazer o personagem do filme dentro do filme passou por uma série de cirurgias para se tornar um descendente afro-americano. É muito engraçado suas caras e bocas enquanto imita o que ele acha ser um real descendente afro-americano, ele a que me refiro é o personagem de Downey Jr.

Trovão Tropical é um filme que tem como proposição fazer uma autocrítica (mundo cinematográfico Hollywoodiano), enquanto enche a tela com muita ação, situações non-senses e palavrões.
Nota: 8

Rafael Sanzio

Participação

Não deixem de comentar! E caso queiram alguma opinião sobre um filme que estão em dúvida da qualidade, perguntem se eu já assisti. Perguntando talvez vocês me dêem uma desculpa para ver um filme.


Rafael Sanzio

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Bezerra de Menezes: o Diário de um Espírito



Sabem aqueles filmes brasileiros sobre Jesus, com Padre Marcelo Rossi? Agora o Espiritismo também tem seu filme "religioso". Bezerra de Menezes narra a própria história, enquanto o público conhece um pouco sobre a doutrina espírita.

Dirigido pelos cineastas cearenses Glauber Filho e Joe Pimentel, com Carlos Vereza interpretando o protagonista Bezerra de Menezes, o filme começa até com uma pitada interessante de criatividade com os créditos aparecendo numa folha de papel podendo até ser considerado que estão sendo psicografados. Mas a criatividade pára por aí.

Os primeiros vinte minutos do filme são um teste de paciência e boa vontade para quem assiste. Atuações sofríveis (coadjuvantes e figurantes), direção pobre sem originalidade ( tosca no conto de "terror" mas acho que foi proposital) e uma história que se arrasta. Fica interessante a partir do momento que Bezerra assume o espiritismo como doutrina e acontece conflitos contras as idéias católicas e materialistas.

O filme serve mais para quem é espírita ou para aqueles que querem conhecer um pouco da doutrina, "pouco" porque o filme é muito rápido, apenas 80 minutos. E há muito mais a ser abordado sobre o tema. Mas como existe 2 ou 3 filmes de Padre Marcelo, talvez as portas de mais filmes sobre o espiritismo podem ter sido abertas. Mas bem que a qualidade poderia melhorar...
Nota: 5,5

Rafael Sanzio

Sejam Bem-Vindos

Começo agora a postar aqui minhas considerações sobre filmes que tenho o prazer (ou desprazer) de assistir. Espaço aberto para as suas opiniões sobre este e outros filmes. Caso queiram indicar um filme sintam-se à vontade!

Pensei em copiar e colar antigas críticas mas acho melhor começar de agora. Ponto positivo para a criação deste blog é que lê quem quer, não mais irei perturbar o pessoal do orkut!


Rafael Sanzio